terça-feira, novembro 08, 2016

A exata dose do máximo

Unicórnios anis com detalhes grená passeiam pelo seu corpo
Vindo das costas, galopando seios e sumindo entre cabelos
No ouvido, pulsos, batidas
Cheiro de gardênia ou própolis forçando a visão
E no meio de tudo isso, dois.

O céu fica oscilando entre o claro e o rosa
A cama não mexe, não ruída, flutua
E nossos corpos, pulsantes, se aproximam e se repelem
Várias e infindáveis vezes
Variando mãos apoiadas e músculos retesos

Procuro marcas de seus dentes na pele
Vejo, sinto, busco, devaneio
A língua cura a cada busca pelo prazer
E a mente que distorce a realidade
Faz, enfim, congelar o tempo

A máxima dose de tudo somos nós
Em tudo, o exagero do controle
Pele limpa, corpos protegidos do vento
Mas refastelo nos seus pelos
Brincando e brigando pelo meu espaço

quarta-feira, junho 29, 2016

Você não sabe nada (Jon Snow?)

- Vem pra cama, amor...
- Ai, pára... vai começar...
- Começar o que?
- A última temporada de Game Of Thrones...
- Porra, Maria Alice... esta porra não acabou não?
- Não, Carlos Alberto... hoje é o último episódio da quinta temporada...
- Mas que buceta... hoje estava a fim de transar...
- Depois, depois...


- Maria Alice, vem para cama...
- ...
- Maria Alice, você tá chorando?
- Ai, Carlos... ele morreu, Carlos...
- Quem morreu, caralho...
- O Jon Snow... mataram ele...
- Quem é este? Você tá falando de que?
- Do Jon Snow, do Game Of Thrones...
- Mas que buceta, Maria Alice... você sabe que não assisto novela...
- MAS NÃO É NOVELA, CARLOS ALBERTO...
- Fodas se você chama de outra coisa... pra mim é novela...
- Insensível...
- Eu? Que isso..
- Ah, não, pára com isso...
- Ah, Maria Alice... hoje tô tão a fim...
- Você não viu que o Jon Snow morreu? Não tenho clima para sexo...
- Tomar no cu desta porra de Game os Thrones... tomar no cu, viu!!!

E aí?

foil
fail
foi!

terça-feira, junho 21, 2016

JUMA

Jumentos, burros, asnos
A bicharada toda presente
Filas, manadas de gente em duas patas
Palmas voando enquanto passa a pira

E no meio da selva, o bicho
Acuado, faminto, sem casa
Mas é dia de festa!
Todos aplaudindo o fogo grego

Jumentos, burros, asnos
O ferro no pescoço mostra o lado opressor
Agulhas fincadas em braços abertos até o derradeiro final

E, no meio da festa
E, no meio do povo
E, na presença da ignorância
Todos tentam explicar o inexplicável
Para tentar conviver com tamanha estupidez.

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Entenda clicando AQUI

sexta-feira, junho 17, 2016

Ainda bem que você tem (fé)

Desce o morro, vende, corre
Eles aparecem, fogos, sangue
Vida de pobre, vida de negro
Favela, medo, tristeza

Passa dia, passo a bola
Vivo quando me deixas
Animo, reabilito, vomito e tomo de novo
Vida inquieta, vida que se presta
Desce, vem ver, chegou mais
Gritaria, corre, avião
Bastante na mão, nas mãos límpidas e burguesas
O pó, a faca, a fé, a coisa toda
Viela, boca, favela

Daí de trás de vejo (novamente)

Engraçado como o mundo dá voltas

Ontem era eu, hoje és tu

Rimos, bebemos, conversamos até a hora de dormir

E novamente, como roda, voltamos a repetir o ontem


Hoje sou eu, amanhã é você

Como uma tabela, um campeonato sem vencedores

Rimos, choramos, usamo-nos

E pomo-nos novamente no jogo...


A vida nos molda ou nos moldamos no ciclo repetitivo da máquina de lavar?

Lava, seca, suja, limpa e torna a voltar ao início.

Hoje, já aviso, vou por trás...

A veia

A veia que passa no meu corpo não passa no seu
Aveia tomo de manhã
Seu corpo é cheio de fibras
E fibras tem no meu cereal
Quando passo mal, é porque comi muito
E quando você passa mal, não vai na escola

A veia leva sangue para o coração
Aveia leva força para os músculos
Então, uma coisa não está relacionada com a outra
Mas dizem que tudo está interligado (Malhação?)
Acho que não estou entendendo mais nada

A veia que passa no seu cu, quando estoura, se chama hemorroida
Você tem que carregar aquela boinha para assoprar e poder sentar
Seu rabo dói, e não é porque deu
Mas só de relar na cadeira, se fode
E aí, você responde: "sua véia tá boa, né?"

terça-feira, dezembro 15, 2015

Wi-Fi

Sou advogado, tenho mais de 30 anos de profissão, lido na área criminal, possuo um pequeno escritório na cidade, sou casado há mais de quarenta anos e, recentemente, fui obrigado a contratar uma estagiária muito bonita, muito inteligente e que possui uma ótima redação.

Pois bem... era sexta-feira, estava visitando um detento numa penitenciária e levei a estagiária, Abreulina, nesta minha visita. Depois de parlamentar com o cliente, entrei em contato, por telefone, com o responsável da vara de execuções para providenciar o que era de direito e fui informado que teria que manifestar nos autos em até 30 minutos, tempo que o juiz ainda estaria no Fórum. Se não fosse neste lapso temporal, minha apreciação seria vista somente na próxima quarta-feira, quando da volta do feriado prolongado.

Falei com a estagiária:

- Abreulina, tenho que manifestar agora nos autos...

- Vamos para o escritório, Dr...

Mas era humanamente, divinamente e capetadamente impossível atravessar toda a cidade em menos de 30 minutos. Trânsito, chuva, era impossível até em duas horas...

- Não dá, Abreulina... tem que ser numa lan house.

- Mas aqui não tem nenhuma, Dr...

- Puxa vida - já entrando no carro e seguindo ainda sem destino...

- O senhor está com o seu notebook?

Respondi que sim.

- E o seu token, está com o senhor?

Respondi afirmativamente.

- Então vamos para o motel. Eu sei a senha do Wi-Fi...

Aquilo me pegou de surpresa. Abreulina era uma jovem de vinte e poucos anos, pernas torneadas, seios firmes e fartos, um belo cabelo que percorria suas costas até chegar a cintura, um sorriso afável, um olhar meigo e dona de uma senhora boca! Aceleramos tudo, cheguei até a fazer o que nunca havia feito, que era passar de 120 km/h na rodovia, e finalmente chegamos ao tal motel...

- É aqui, é aqui, Dr..

Entramos. Confesso, novamente, que aquela experiência me remeteu a tempos, tempos atrás, quando era moço. Tinha uma Vemaguete 1965, xodó na época, e com ele fui pela primeira vez num motel... mas mesmo assim em outra cidade, porque aqui as moças, mesmo naquela época, eram mais recatadas, pudicas...

Entramos. Sentia um nó no peito, uma dor fantasma na região lombar, um suadouro infernal, mesmo com o ar condicionado ligado. Abri o computador e ela inseriu a senha do Wi-Fi do motel. Ato contínuo, enfiei rapidamente o certificado digital, digitei o texto e protocolei a manifestação. Ela deitada na cama, tomando uma Coca-Cola, já sem o paletó do casaquinho.

- Pronto! - falei, meio engasgado - já enviei.
- Então vamos embora, Dr...

Fechamos a conta e, quando estávamos saindo do motel, minha esposa e a amiga dela, filmando, nos pegam "com a boca na botija".

- SAFADO! PILANTRA! TRAIDOR! DESPUDORADO! VELHO TARADO!

Pôs o pé na porta do carro, me impedindo de sair. A outra amiga, também sexagenária, filmava tudo com um celular. Abreulina tentava, em vão, se explicar. E foi o barraco!!

As imagens foram parar na internet. Minha esposa saiu de casa, prometendo o divórcio. E meus amigos... bem, meus amigos, meus amigos da velha guarda, meus amigos da turma da rola cansada, ah, estes estão todos morrendo de inveja de mim, mesmo eu contando, mais de mil vezes, que fui naquele motel com a estagiaria só para me manifestar nos autos!

Atenção: conto totalmente fictício. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Diabólico

Diabólico é o sorriso quando sugas
É o sangue que jorra acima do tronco
Deixando rubro pálpebras, queixo, boca
Deixando o ar escapar
Deixando rastros de imagens no olhar

Diabólico é a sua postura
Pernas, seios, corpo arqueado enquanto me procuras
Embaixo, embaixo
Deixando o 'pêlo' eriçado, o falo ereto
A língua espasma e os olhos perdidos

Diabólico, diabólico, mil vezes
É o sentimento que me aproximas mais de ti
É o torpor depois do ato
É a alegria em meio ao remorso
Tudo isso que me deixas cada vez mais com vontade
De outra vez me perder em seus domínios...

terça-feira, julho 12, 2011

Delicadeza

A fúria das células
o ócio dos seios
o leito, a morte
e o vício inconsciente dos remédios.

A briga da mente
o beijo, o vapor dos corpos
o veio, o ouro
e a picada que injeta meses de vida.

Delicada é a vida que temos
Frágil, tênue e passageira
E ainda assim, delicada!
Delicada é a vida que vivemos
(in)delicata é vida que morremos

Porque ninguém entende nada de morrer...